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| Marcha da Vida 2004 |
Depoimentos
Marcha da Vida Mundial 2004 |
Daniel Popovich Bastos
(aluno da 3ª série do Ensino Médio do Colégio Renascença, participante da Marcha da Vida Mundial, abril de 2004)
Ir para a Marcha da Vida foi uma incrível experiência, ver todos os campos, alguns muito conservados, entrar nas câmeras de gás, caminhar por aqueles tristes lugares e ouvir todas aquelas historias é algo que até agora me emociona muito. Saber que passei por lugares que foram palco de um dos mais aterrorizantes momentos da história do nosso povo e da humanidade, é algo que vejo como uma certa obrigação com nossos parentes e antepassados, que lá caíram. Depois de toda aquela emocionante semana na Polônia fomos a Israel, essa foi outra sensacional experiência, aquele sentimento de "que bom, chegamos em casa", mesmo que muitos já haviam estado lá. Comemorar Iom Haatzmaut foi incrível, foi algo muito feliz, pois o sentimento era outro, depois de ver tudo aquilo, ver nosso Estado, nossa pátria é algo muito forte, acho que em nenhum momento aquele sentimento de "Am Israel Chai" saiu de nossos corações. Quando comemoramos Iom Hazikaron, sentimos enorme tristeza e respeito por aqueles que caíram por nossa pátria. Com certeza, essa viagem não se acaba aí, ela é apenas o começo para muito que há para se ver e aprender.
Am Israel Chai!
Daniel Popovich Bastos
(Depoimento feito para o site do Colégio Renascença e gentilmente cedido.) |
Ricardo Adissi
(aluno da 3ª série do Ensino Médio do Colégio Renascença, participante na Marcha da Vida Mundial, abril de 2004)
Sombras, campos de concentração, campos de extermínio, câmeras de gás, crematórios, muralhas, prisão, fome, perda, cinzas, lágrimas, medo, sangue"...
São cenas que, de tão horríveis, deixam no ar a seguinte pergunta: será possível que tudo isso aconteceu? Ou isso é tudo cenário de um filme? Não há do que duvidar, frente às toneladas de cinzas, frente a todo o terror, frente aos sobreviventes emocionados. São seis milhões de vidas, de famílias, de histórias destruídas e acabadas apenas por um motivo: eram judeus. Depois de tanto marchar, chegamos à vida, à liberdade, a Eretz Israel e com certeza depois de intensas guerras e lutas, podemos gritar em alto e bom som: "Am Israel Chai!"
Ricardo Adissi
(Depoimento feito para o site do Colégio Renascença e gentilmente cedido.) |
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Álbum de Fotos
Marcha da Vida Mundial 2004 |
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Marcha da Vida 2005 |
Depoimentos
Marcha da Vida Mundial 2005 |
Samuel Feldberg
(Filho de sobreviventes do Holocausto - São Paulo)
Auschwitz agora destoa de uma Polônia integrada à Europa, de fartura e diversidade antes inexistentes. As sensações de estar de volta no país que se tornou um imenso cemitério marcam a viagem desde o início: os primeiros trilhos de trem, logo à saída do aeroporto fazem lembrar as histórias sobre o esforço nazista de aniquilação, que fazia parar os trens de tropas a caminho da desesperada frente russa, para dar passagem a trens de gado, atulhados de judeus rumo à morte. Passeando pelas ruas da cidade velha de Varsóvia, cada vitrine das lindas lojas de antiguidades me fez pensar em quais destes cristais e pratarias não foram levados das cristaleiras de meus avós. Elie Wiesel fez um discurso emocionado na noite da marcha. Disse, entre outras coisas, que não deveríamos pensar em vingança, que a vingança seria divina. … Mas houve também momentos maravilhosos, em que toda esta sensação sombria foi superada pela certeza de que “Am Israel Hai”. Na sinagoga de Nosik, a única que hoje funciona em Varsóvia para uma pequena população judaica naquela que era uma das maiores comunidades judaicas antes da guerra, reunimo-nos para a noite do Shabat – de jovens a idosos de todos os cantos do mundo, que em comum pouco mais tinham que o fato de serem judeus, sentirem-se judeus e terem optado por participar desta Marcha da Vida, mostrando a nós mesmos que nossos pais não sofreram em vão, nossos avós não morreram em vão. O “amém” ao final do Kaddish, como observou um dos participantes, foi o mais retumbante que jamais havia ouvido. Ecoou na noite de Shabat numa Varsóvia em que já quase não há judeus e em que é difícil encontrar vestígios do que um dia foi o Gueto, uma Varsóvia na qual os resistentes judeus que se rebelaram contra as seleções nazistas não eram aliados suficientemente bons para os partisanos polacos. Talvez Elie Wiesel tenha razão: quando estes se levantaram ao final da guerra os soviéticos lhes retribuíram na mesma moeda, deixando que fossem massacrados à espera da ajuda que nunca veio. Nossa viagem foi enriquecida pela variedade dos participantes; membros de comunidades de São Paulo e do Rio de Janeiro, Curitiba e Belém, e a presença de jovens por um lado e de um verdadeiro premio: Sr. Aleksander Laks, sobrevivente de Auschwitz e da Marcha da Morte, que transformou todas as estatísticas e documentos a que tivemos acesso, em relatos pessoais emocionantes, depoimentos de suas experiências; tornou-se depositário de nossas emoções, de nosso carinho, por um momento o avô que pranteávamos, o símbolo de todo aquele sofrimento que permeava o ar. Saímos da Polônia vitoriosos, provavelmente para nunca mais voltar. Embarcamos rumo a Israel, “Me Avdut lê Heirut”, deixando para trás uma semana de emoções inenarráveis, com a certeza de que esta Europa nunca mais será a mesma, que a riqueza humana, cultural por eles perdida naqueles anos negros do século passado continua viva nas emoções daqueles que, comigo, participaram desta Marcha.
Samuel Feldberg
(Para a ABPMV) |
Israel Blajberg
(Bandeiras sobre a Multidão)
Muszeum Martiriologyszne Majdanek. Não é preciso saber polonês para entender. Estamos no campo onde o nazista Koch e sua mulher Elza tinham abajures de pele humana na casa onde moravam dentro de Majdanek, agora transformado em Museu do Martírio. A fôrca em Nuremberg foi o destino do monstro. Armênia, Ruanda, Biafra, .... desde que Abel levantou a mão contra Caim, o mundo não teve mais paz. Cada vez que uma bala perdida mata uma criança, ou que um skinhead ataca um diferente, os espectros malditos de Hitler e seus asseclas lançam uma gargalhada sinistra no Inferno de Dante. A Marcha da Vida é um programa educativo pela Polônia tão sofrida. A noite de Varsóvia é fria e escura. Não se dorme mais de 5 horas. Atravessamos a Polônia de Norte a Sul para poder ver tudo. Não se pode esquecer. A maioria são jovens. O ônibus chega a Umshlagplatz. As almas doloridas conhecem a praça onde os SS arrebanhavam nossos irmãos e irmãs para embarcá-los nos trens da morte. Como poderiam imaginar? Afinal era uma das nações mais “civilizadas” da Terra... A Alemanha nazista iludia suas vitimas assim como os terroristas do 11 de setembro. Soilent Green, décadas depois mostrava Los Angeles em 2050 sem água e sem comida, onde o governo convidava candidatos a uma morte sem dor. A única alimentação era a proteína esverdeada fornecida ao povão. No final, a revelação: Soilent Green is people ... nada mais que as carnes trituradas dos suicidas. Os nazistas foram mais longe. Das vitimas só restavam as cinzas. Ficção científica macabra assim só foi possível depois de Auschwitz. Estamos agora percorrendo ruas vazias. A cada esquina, uma pedra relembra os Heróis do Gueto. Derech HaGvurim (Caminho dos Heróis). Saindo da UmshlagPlatz passamos pela Mila 18 e por uma esquina emblemática, onde a Rua Mordechai Anielewicz, o comandante da ZOB , cruza a Avenida de Jan Pavel II, o Papa. São bairros novos, construídos sobre os terrenos onde um dia existiu o Ghetto de Varsóvia. Os alemães arrasaram tudo. Apenas 3 prédios e 2 pequenos pedaços de muro restaram. Havia 300 mil judeus em Varsóvia, numero que chegou a 600 mil com as deportações. Todos num espaço semelhante ao da Praça XI a Candelária, em pleno Centro de Varsóvia. As arvores tornam a noite de Varsóvia mais escura. O grupo chega a uma grande praça onde o monumento de Rappaport presta a última homenagem aos heróicos combatentes do ghetto. Nuvens de chumbo tangidas pelo vento desenham recortes fantasmagóricos no céu iluminado por uma lua fria. Uma sensação de vazio e solidão preenche a praça. Estamos sozinhos no meio do quadrado imenso perdidos em nossos pensamentos. Quase ninguém fala. Acendem-se velas. Recita-se o Kaddish . As almas de Anielewicz e seus irmãos de armas estão por ali, eternizados que foram no bronze. Olham ao longe resolutos, cabeça levantada, desafiantes. Nas mãos, facas e granadas. Os minutos parecem não querer passar. Talvez algo vá acontecer. Talvez. Era o que eles sentiam, há exatos 62 anos. Os vultos parecem querer sair do metal para a luta, sem nada temer, quase com os próprios corpos. Amanhã é domingo, 8 de maio de 2005. Dia das Mães. 60 Anos do Dia da Vitória. 62 anos da morte de Mordechai Anieleiwcz, o Comandante da Revolta. Poucas vezes na historia houve exemplos de tamanho heroísmo, desde que Spartacus se levantou contra o império. As mais aguerridas legiões da Roma pagã, a Xª. e a XVª. foram mandadas com as melhores armas da época, infantaria, balistas, arqueiros, 10 catapultas pesadas para cada legião. A SS veio com tanques e artilharia. Mas todos eles passaram e nós ficamos. O verde-amarelo das bandeiras que conduzimos nos lembram daqueles outros heróis enlouquecidos de esperança. Tiradentes e Zumbi dos Palmares assim como Anielewicz confiavam que chegaria a Liberdade, ainda que tardia . O guia bate palmas convocando o grupo para o ônibus. Vamos ao hotel jantar com as outras delegações. O monumento fica para trás. Atravessando a praça, um turbilhão de sons vindos do passado martela os tímpanos. Explosões, gritos, prédios desabando. A porta do ônibus se fecha hermeticamente e voltamos ao presente. Um bonde passa ao lado. Procuramos identificar rostos conhecidos. A linha é a mesma onde outrora passaram os trens da morte. O hotel está apinhado de gente jovem. Sorrisos inocentes. Danças na rua. Deixamo-nos levar pela massa humana nos corredores. Bandeiras se levantam sobre a multidão por toda a parte aonde vamos. O calor reanima a alma. Vencemos. Nem as legiões romanas nem as SS puderam declarar vitória. Vencemos todas as guerras a muito custo e aqui estamos na noite de Varsóvia.
Israel Blajberg
(Para a ABPMV) |
Israel Blajberg
(O Silencio do Talit)
Em terra gelada e distante uma vitrine exibe mantos rituais. Deixados pelos que iam trilhar o ultimo caminho, al Kidush haShem. Suspenso e estendido diante de visitantes consternados, o silencio do Talit é significativo. Testemunha muda da fé que se manteve, ao encontrar novamente o ar fresco da liberdade. A religião judaica pura, tradicional e dogmática arrostou turbilhões e tempestades ao longo da Historia da Humanidade permanecendo intacta ate hoje, o que garantiu a continuidade de um estilo de vida baseado na Tzedaka (caridade) principalmente. Pois não somos raça, etnia, povo monolítico ou nação. Não é preciso ser ortodoxo, muito menos religioso para avaliar o profundo significado do trabalho anônimo e paciente de sábios e tradicionais Rabinos para manter acesa a chama do Judaísmo na Comunidade Brasileira. Não que Judaísmo Light e festas em hotéis a beira da praia não contribuam. Mas a sinagoga tradicional, onde se estuda e louva a Lei de Moises como em tempos imemoriais, é a garantia de que superaremos o desafio da globalização. Ainda assim, no shtetl global a criatividade pragmática que instala sinagogas em salões de hotéis e clubes gentios tem seu papel. Nada contra, assim como o sushi e churrasco que às vezes substituem gefilte fish e berinjela. Louvados sejam aqueles que de antigas denominações sinagogais cultivam diuturnamente a nossa fé, dentro das nossas mais caras tradições oferecendo tradicional mesa farta ou concedendo alguma pecúnia incentivatória. Nada mais fazem que ajudar a perpetuar a essência do judaísmo, que ao longo dos milênios se manteve superando enormes desafios internos e externos, físicos e espirituais. Ao final dos serviços, os mantos rituais repousam nas sinagogas. Graças a D_us foram usados. Já agora dobrado no armário, e não mais suspenso como aqueles da vitrine, o silencio do Talit continua significativo. Novamente testemunha muda da fé que se mantém. O Talit é poderoso. Lembra que vencemos, mas continuamos tendo obstáculos pela frente. Também aqui, nesta terra de sinagogas abundantemente iluminadas pelo sol tropical, o eterno desafio de manter acesa a chama.
Israel Blajberg
(Para a ABPMV) |
Anita Pinkuss
(Diário de Viagem)
8/5 Último dia na Polônia, portanto levantar às 5.30h , malas no ônibus, café e pé na estrada a caminho do último campo que visitaríamos: Majdanek, perto de Lublin. Não entramos em Lublin, mas o guia nos contou que em 1933 ainda foi construída a maior Yeshiva da Europa (ninguém imaginou que logo tudo isso seria destruído). A cidade de Lublin não foi destruída, só a parte judaica, e obviamente os judeus foram levados. Era tão perto de Majdanek que os oficiais da SS nazista, podiam realizar seu “trabalho” de matar judeus de dia e voltar às suas casas à noite!! De lá de Maydanek enxergamos a cidade de Lublin! Como os russos chegaram a Maydanek em julho de 1944, os nazistas não conseguiram destruir o campo e apagar os vestígios ainda mais por que também muitos prisioneiros políticos ficaram “hospedados” aqui. Desta forma está tudo intacto como no dia da fuga dos alemães, até por interesse polonês. Uma das maiores provas do que realmente aconteceu.Foi a visita mais impressionante: Pode-se ver claramente: Depósitos do gás Ziklon B Câmaras de gás Os fornos crematórios(aqui em local separado,o que envolvia muito trabalho escravo de transporte de cadáveres). As cercas eletrificadas O mais impressionante de tudo: uma montanha imensa de cinzas humanas. Local das valas comuns. Como foi a nossa última visita na Polônia, realizamos um ato em memória dos que lá foram assassinados. Foi uma cerimônia muito emocionante. Os madrichim haviam levado um aparelho de som para ouvirmos o El Male Rachamim. Novamente rezamos Kadish, e em meio a lágrimas, cantamos Am Israel Chai…. Como o Michael e eu tínhamos estado em Israel em outubro de 2004, primeiro pensamos que não valeria ir a Israel novamente depois de tão pouco tempo, mas o enfoque desta viagem foi muito diferente, não turística e sim mais informativa…. Senti que, na Polônia, consegui contribuir relatando alguns depoimentos ouvidos durante as entrevistas da Shoah Foundation que me ocorriam nos lugares por onde passavamos. Acredito que, principalmente para os jovens, tenha sido válido. Anita Pinkuss
Anita Pinkuss
(Para a ABPMV) |
Boris Sitnik
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Família, quero agradecer a todos pela convivência na Marcha da Vida, pela dedicação, ensinamento, proteção e carinho com que voces nos conduziram neste processo. Apesar de entendermos e sabermos sobre o que se passou, esta vivência marcou-nos de maneira profunda; jamais seremos os mesmos. Outra visão de agora nos toma. Tolerância e amor se transformam e crescem em nosso seres. Gostaria de deixar com voces uma expressão em forma de um poema, do sentimento que tive após a nossa jornada na Polônia: LEMBRAR VIR AQUI FOI VOLTAR AO PASSADO TRISTEZA AO LEMBRAR E CHORAR CALADO RECORDAR, SEM ESQUECER NOSSOS IRMÃOS O SOFRIMENTO QUE PASSARAM NAS MÃOS DAQUELES INSANOS E DESUMANOS MONTROS AGORA NOS LEVA A ESTES ENCONTROS PARA LEMBRAR A SHOÁ DE VERDADE E CONTAR CERTO ÀS GERAÇÒES SEM IDADE QUE PODE-SE PERDOAR, JAMAIS ESQUECER E, QUE FINALMENTE, EXISTE UM NOVO AMANHECER.
Boris Sitnik
(Para a ABPMV) |
Dave Brykman
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Momentos esses que vão ficar cristalizados em nossas mentes e impressos em nossos corações eternamente, pois, amigos, não tenham qualquer rastro de dúvida que essa viagem modificou cada um de nós em todos os aspectos da vida, nos dando uma nova visão de valores, sentimentos e identidade como judeus e além de tudo como seres humanos, estejamos conscientes disso agora ou não, mas o fato é que estamos mais despertos e com o espírito muito mais ampliado do que antes. Tentem perceber isso no dia-a-dia. Creio que podemos chamar isto de "transformação". Transformação - talvez esta palavra possa sintetizar tudo o que buscamos e experimentamos no decorrer da marcha. Presenciamos momentos onde alegria e tristeza trilhavam entrelaçadas. Na Polônia, como já descrito nos últimos emails, se por um lado caminhamos pelos campos de concentração e extermínio enfrentando um total desconforto de corpo e alma: uma atmosfera pesada com chuva, vento, frio, imagens dolorosas e cenários incríveis sob nossos olhos abertos e descrentes que uma realidade de tal grandeza absurda pudesse ter ocorrido, por outro, contemplamos um foco de luz radiante dentro daquela sinagoga lotada em varsóvia em pleno recebimento do Shabat. Foi realmente uma experiência indescritivel. Já em Israel também passamos um processo parecido no Iom Hazicaron (Dia da Recordação dos que caíram nas guerras até hoje - em torno de 22 mil), dia de luto e silêncio, exatamente na véspera do Iom Haatzmaut (Dia da Independência do Estado de Israel - 57 anos) onde se reinava somente festejos e completa euforia pelas ruas do país. Pareceu até estranho para muitos como podemos estar tão tristes em um dia e logo em seguida, poucos instantes depois, totalmente alegres. Um paradoxo? Não importa. Me veio agora a idéia como à imagem semelhante a de um bebê que em sua pureza nata pode estar aos prantos num determinado instante e um segundo depois já está rindo como se nada de mal ou triste tivesse ocorrido.... Grande lição…. Testemunhar exemplos vivos da Shoá como o de Elie Wiesel que com absoluta paciência nos esperou docemente para tirar fotos com delegação brasileira no mesmo local em que segundo trecho do seu próprio discurso disse: "Lugar onde todos nos tornamos órfãos" se referindo ao complexo Auchwitz-Birkenau e ainda, o do nosso querido Alexander Laks, onde, além da convivência diária com o grupo, fui presenteado em ser seu companheiro de quarto durante praticamente toda a viagem. Fico sem palavras para dizer o que significou essa feliz oportunidade de conhecer uma pessoa de espírito tão jovem e forte e poder trocar idéias sinceras sobre os supostos e os verdadeiros valores da vida, assim como fazem os grandes e velhos amigos. Bem, a marcha da vida, ou a marcha pela vida ainda continua para todos nós, passo a passo, cada um de nós sabe agora mais do que nunca, a real responsabilidade individual e global do povo judeu onde jamais devemos ser uma fé ou uma religião fechada em si mesma. Considero este conceito muito importante, ou melhor, considero isso FUNDAMENTAL - que o nosso povo ao mesmo tempo que esteja fortalecido em suas raízes e tradições também mantenha as pontes do diálogo com outros povos e religiões havendo o respeito mútuo num intercâmbio sadio, pacífico e necessário pois temos que ter a convicção que a humanidade é uma só e interdependente onde tudo está interligado…. Pensamento do Dia: "O valor das coisas não está no tempo que elas duram, mas na intensidade com que acontecem. Por isso existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis." (Fernando Pessoa)
Dave Brykman
(Para a ABPMV) |
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Álbum de Fotos
Marcha da Vida Mundial 2005 |
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Marcha da Vida 2007 |
Depoimentos
Marcha da Vida Mundial 2007 |
Estamos aqui
Embora eu já tivesse estudado o Holocausto, assistido filmes, lido livros e histórias de sobreviventes, eu não tinha idéia da dificuldade que seria vivenciar a Marcha da Vida. Os meus conhecimentos sobre o tema nada representavam diante das sensações de profunda tristeza e ódio que Treblinka, Majdanek, Aushwitz e Birkenau me causaram.
A maior emoção da viagem foi ver 8.000 judeus de vários países em Auschwitz, no dia da Marcha da Vida, prestando uma homenagem para os 6 milhões que pereceram na 2ª. Guerra. Assim, mostramos para o mundo que o objetivo do nazismo, de exterminar a nossa memória e o nosso povo não se concretizou. Neste dia, não eram necessários discursos tristes, depoimentos de sobreviventes, bastava estar lá, vivo e poder dizer, em voz alta: Estamos aqui.
Estudar a Shoah in loco é uma experiência indescritível. Todos teriam que ter essa oportunidade e não apenas judeus. Desta forma, seria possível conhecer as maldades que um ser humano é capaz de fazer com seu semelhante. No entanto, compartilhar tais idéias é imperdoável e inadmissível!
Após uma semana dolorosa, a chegada em Israel nos deixou satisfeitos e aliviados. Pudemos exercer o direito de sermos judeus em total liberdade. A identidade judaica se fortificou e culminou com a nossa alegria diante da comemoração da independência do Estado de Israel nas ruas do país, mais uma vez afirmando: Estamos aqui e não vamos sair.
Débora Bigio, 28 anos, participante do Grupo Adulto da Marcha da Vida 2007
Publicado no Jornal da CIP do mesmo ano. |
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Álbum de Fotos
Marcha da Vida Mundial 2007 |
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Marcha da Vida 2008 |
Depoimentos
Marcha da Vida Mundial 2008 |
A viagem para mim foi tudo que eu sempre quis e foi uma maneira que eu encontrei de vivenciar aquilo que até então estava restrito a relatos e filmes
Sima Pajecki, 61 anos, Sâo Paulo |
A marcha da vida foi sem duvida uma das melhores experiências que já tive. Numa única viagem, poder vivenciar dois extremos: o lado negro da historia e todas atrocidades que aconteceram durante o nazismo, e logo após conhecer um pais que a cada dia se desenvolve e mantém cada vez mais viva a identidade do povo judeu. É sem duvida uma viagem de contrastes: o dia do holocausto em Auschwitz e o dia da independência em Jerusalém, a devastação da humanidade na Polônia e o desenvolvimento em Israel, a tristeza dos campos de concentração e a alegria de Tel Aviv. Uma viagem que pra sempre vai ficar em minha memória e que todo ser humano, independente de sua religião e crença, deveria fazer.
Luciano Brochmann, 32 anos, Porto Alegre |
“... acredito que todo judeu deva ir para a Marcha da Vida pelo menos 1 vez e ver e "sentir" o que foi a Shoá. Além do mais, a geraão de sobreviventes está terminado e cabe a nós (seus descendentes) manter viva essa lembrança.”
Arnaldo Politanski, 46 anos, São Paulo |
“Uma viagem com um sentido forte e intenso, organizada e preparada para nos passar informações e aprendizados importantíssimo. A Marcha consegue de maneira única colocar um tom humano em toda a história e acontecimentos da segunda guerra mundial e isso fez com que nos aproximássemos mais e sentíssemos que realmente foi verdade com pessoas como nós (dessa forma, o senso de responsabilidade e comprometimento com a Shoá cresceram muito dentro de cada um).”
Carolina Gormezano, 24 anos, Sâo Paulo |
Pela reflexão que o impacto da viagem como um todo traz ao indivíduo, tanto no sentido pessoal como comunitário e social. (Iom hashoa Polinia - Iom hatzmaut Israel).
Dan Friedlander, 26 anos, São Paulo |
O tema da viagem, de um modo geral, é muito triste principalmente na Polonia. Mas a amizade do grupo foi nota DEZ.
Salvador Policar, 90 anos, Sâo Paulo |
Contato com a historia do nosso povo, fortalecer nossas raizes, nossa identidade, e nosso país. Am Yisrael Chai!
David Garon, 16 anos, Cuiabá |
Indicaria porque acho fundamental todo judeu fazer essa viagem - é uma parte (infelizmente) essencial da nossa história, que cada vez fica mais distante com a passagem do tempo. Para entender melhor porque temos que dar continuidade ao nosso povo, à nossa cultura e à nossa história. Em homenagem às pessoas que sofreram e morreram lá. Porque estamos vivos.
Eliana Rozenkwit, 32 anos, São Paulo |
Uma viagem única, experiência necessaria pra pessoa que quer viver como pessoa judia.
Isaac azrak, 20 anos, São Paulo
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A Marcha da Vida é uma experiência fantástica pela qual todo ser humano deveria passar. Uma coisa é estudar o que foi a Shoá, outra coisa é ver com os próprios olhos o que foi feito naqueles lugares, e depois ainda o contraste com Israel, é maravilhoso. O sentimento que mais me marcou foi quando estávamos em Birkenau, aquele lugar horrendo onde ocorreu tudo aquilo, mas ao mesmo tempo é tão bonito ver o que fizemos disso, transformando o campo da morte em um local de reunião de milhares de pessoas para lembrar, homenagear e transmitir os valores da Shoá: "Lo Od" e "Am Israel Chai".
Rafael Ellis Reuben, 18 anps, São Paulo
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“O preparo de cada visita com explicacoes, poemas, cancoes, nigunim, rezas, nos da a dimensao do que ocorreu conosco e com nossos entes queridos de forma que nao eh explorado a crueldade do horror numa dimensao que o grupo nao possa suportar. A dimensao dada e o enfoque do preparo serve para nos fortalecer e entender o que ocorreu atraves de explicacoes de alto nivel, dignidade e respeito tanto aos que ficaram nas maos dos nazistas, quanto dos que estao la para resgatar, visitar, comprovar e se emocionar com a carga historica que carregamos pelo resto de nossas vidas.”
Abrao Jose Kahn, 56 anos, São Paulo
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Álbum de Fotos
Marcha da Vida Mundial 2008 |
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| Marcha da Vida 2009 |
Depoimentos
Marcha da Vida Mundial 2009 |
"Que os meus olhos não apaguem da minha mente todos os Campos visitados.
Que a minha boca não cale nunca para aqueles que dizem que isso nunca existiu.
Que a minha caminhada não tenha sido em vão e que os mais novos sejam nela minha continuação.
Que as pessoas possam ser livres em qualquer lugar do mundo e que todas elas vivam com dignidade, não importando cor, credo ou seja lá o que for.
E que o mundo receba com carinho nossos filhos, netos, bisnetos pois são a nossa continuação."
Maria Stella Ballio (Téia).
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"Marcha da Vida foi ima experiência muito emocionante, e que ficou muito enriquecida pelos comentários de nosso guia Moshê, que nos contou tantos detalhes de pessoas que se destacaram durante os anos terríveis do holocausto. Também gostei muito da reação da juventude, tanto na sinagoga como nas duas cerimônias, na Polônia e em Israel. Acho que todo jovem deve participar dessa “Marcha”, procurando para isto alcançar também aquêles , em idade escolar, que não freqüentam escolas judaicas. Minha experiência pessoal, de viajar com a neta, também foi especial"
Kate Heilberg |
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Álbum de Fotos
Marcha da Vida Mundial 2009 |
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